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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

#AgoraTocando: Architects - Holy Hell

By Marcus Benevides09:55:00

"Eu não estava pronto para a ruptura", uma das primeiras frases cantadas por Sam Carter no single "Hereafter", demarca não só o que já estava claro desde o início sobre o que seria a temática de Holy Hell, mas também o quão profundo e complexo é abordar o turbilhão de sentimentos confusos e comportamentos que nos acometem após a perda de um ente querido. Afinal, ninguém está preparado para lidar com a morte de um familiar, amigo ou qualquer um que seja importante na vida de cada pessoa. Esse laço que é rompido dá espaço para um vazio sem precedentes, tentar descrever a experiência do luto é uma das coisas mais corajosas e difíceis de se fazer, é a revelação do que há de mais humano em cada indivíduo.

É praticamente impossível falar do oitavo trabalho do Architects sem entrar no contexto da morte do guitarrista e fundador da banda, Tom Searle. É muito claro que acontece algo muito intenso na história desse grupo entre o intervalo de All Our Gods Have Abandoned Us e Holy Hell, que ignorá-lo é tirar a premissa essencial de cada nota executada no álbum. Todas as batidas eletrônicas envolto a toques de violino e a voz da mulher de Sam em "Death Is Not Defeat" e "A Wasted Hymn", trazem a melancolia e tristeza já esperada, porém, apesar de serem as faixas de abertura e fechamento do disco, está bem longe de ser o clima predominante. O luto é cheio de detalhes e nuances, há momentos muito específicos que você se sente perdido e projeta sua fuga em outros objetos, brilhantemente abordado no single "Royal Beggars" — tanto na letra quanto no clipe da música. Mas também existem os momentos em que o contato com tamanha dor nos faz entender a importância de estarmos vivos e sermos tão fortes e poderosos quanto o riff do refrão de "Mortal After All".

"Luto não é uma jornada sobre sair da merda para o topo", disse o baterista e irmão de Tom, Dan Searle, em entrevista para o Independent UK. O músico está mais do que certo sobre isso. É um momento de muitas reflexões e de muitos 'vai e volta', sem hora e nem lugar para acontecer. O dinamismo desse sentimento é demonstrado com enorme honestidade em cada música de Holy Hell. Momentos que cabe a cada um fazer a sua interpretação em seu íntimo, pois não importam o que digam... it's like a brand new Doomsday.





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