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sábado, 26 de março de 2016

Korn: Resquícios do que um dia já foi

By Benevides de Souza10:21:00

Olá, pessoas! Como havia dito, aqui vai a segunda parte dos comentários da discografia do Korn. Caso você ainda não tenha visto a primeira, clique aqui para conferir. Em 'Take a Look in The Mirror' eles tiveram o último suspiro do som consagrado que faziam. Lembra que comentei sobre qual era a essência da banda? Senão, aqui vai um breve recapitula: o dueto de guitarras com afinações bem baixas e um som marcante, o baixo com muitos slaps e também com timbre MUITO peculiar, a bateria com uma pegada funk/hip-hop americano e o vocal de Jonathan Davis. Essas informações são muito importantes pro texto a seguir.  Ahh, também vale ressaltar que dois dos membros originais ficaram de fora de alguns trabalhos que vou abordar aqui (mas um voltou recentemente), tendo um peso muito grande e que deve ser levado em conta. Sem mais delongas, vamos começar!

See You On The Other Side/Untitled - 2005/2007


Como fiz anteriormente, vou comentar dois álbuns em uma tacada só devido as suas similaridades. 'See You On The Other Side' marca o primeiro trabalho sem o guitarrista Head. Seria redundante dizer que junto com a saída do mesmo também se foram os duetos de guitarras, né. Além de certos elementos que só ele trazia a banda. Uma coisa que esqueci de falar é que, por mais experimental que o Korn seja, tudo era extremamente bem dosado, dificilmente havia alguma coisa em excesso. E em 'SYOTOS' é onde a parada desanda. As batidas eletrônicas e o uso de sintetizadores passam do ponto. Como se os efeitos estivessem ali pra preencher uma certa lacuna (entendeu, né?). Em alguns momentos chega a quase sobrepor o instrumento tocado (batida da caixa em Coming Undone) e em outros a guitarra tem pouquíssimo destaque (Love Song). O próprio produtor escolhido aponta para essa linha mais eletrônica que a banda resolveu tomar (The Matrix é responsável por trabalhar com artistas pop como Britney Spears e Shakira).

A pegada se manteve no disco seguinte. 'Untitled' foi lançado dois anos depois e, dessa vez, sem o baterista original, David Silveria. O resquício que havia de um dos elementos principais no álbum anterior se foi junto. Os encarregados pelas baquetas foram Terry Bozzio, Brooks Wackerman e o próprio Jonathan Davis. E o baixo? O baixo foi totalmente descaracterizado. Aquele monte de slaps com um som que mais parecia um berimbau e era quase uma assinatura de quem eles eram já tinha ido embora no 'SYOTOS' e a coisa se manteve assim. Teclados e sintetizadores se destacam mais do que a guitarra (Kiss) e músicas típicas de bandas Industrial Metal (Do What They Say) com muita densidade, cadência e efeitos eletrônicos foi o tipo de som que produziram na época.

Korn III: Remember Who You Are - 2010


Mais uma tentativa de ~retorno as raízes~ foi feita. Dessa vez com o produtor dos dois primeiros discos, Ross Robinson. 'Korn III' é tão forçado que as gravações foram feitas em equipamentos totalmente analógicos, sem nenhum processamento digital. Tudo pra tentar se aproximar do timbre e atmosfera característico dos primeiros trabalhos. Tinha tudo pra dar certo, não? Pois é, mas não deu. Este também foi o primeiro álbum com o novo baterista, Ray Luzier. Que apesar de ser muito talentoso, não trouxe aquela pegada funk de volta. Por se aproximar muito do som antigo, fica nítido a falta de Head no trabalho de guitarras. Era como se antigamente elas preenchessem a música, como se "abraçassem" os outros instrumentos, saca? O que não ocorre aqui. O baixo volta com os slaps, mas talvez seja um dos poucos pontos positivos do CD. Reverbs mal colocados (Fear is a Place to Live), arranjos feios (Lead the Parade) e a tentativa de "inovar" colocando um solo de guitarra (Holding All These Lies), não funcionaram nem um pouco. Particularmente, acho que esse disco tem os refrões mais horríveis da banda. Coisa que sempre foi muito bem feita e de forma bem bonita.

The Path Of Totality - 2011


Em 2011 Jonathan Davis resolve trazer as batidas pesadas de dubstep (uma vertente da música eletrônica) para o Korn. E um argumento que costumo ouvir muito é: "deveria ser aplaudido a tentativa de fazer algo diferente". Só que na verdade a única coisa que tem de diferente é o exagero de dustep. Especialmente quando você para pra pensar que a música eletrônica sempre esteve lá. Muitas vezes feita pelas guitarras, não precisando em nenhum momento de DJs ou sintetizadores. Mesmo com relances do som antigo (Narcisstic Cannibal) e refrões que até lembram o 'Untouchables' (especialmente em Chaos Lives In Everything), é uma vibe parecida com os álbuns de 05 e 07. Tão parecida que até músicas densas e cadenciadas típicas de uma banda Industrial estão de volta (Sanctuary). Com um adendo que muitas vezes você nem sabe o que é bateria e o que é dubstep. O que me faz pensar que, se era quase pra substituir um instrumento por um sample eletrônico, por que o JD não se juntou com esse monte de produtor de dubstep e fez logo um álbum solo só com isso?

The Paradigm Shift - 2013


Dez anos depois de 'Take a Look', Head retorna a banda e é lançado 'The Paradigm Shift' em outubro de 2013. O álbum flerta com momentos muito bons (Prey For Me) e outros muito ruins (sim, estou falando de Never Never já que parece até sobra do álbum anterior). A parte boa é que os riffs grandiosos voltaram e também elementos que andavam meio ausentes (duetos, lembra?), ainda que meio tímido de certa forma. A parte ruim é que o lado eletrônico tem hora que escorrega (Spike in My Veins) e não é mais aquele som sujo dos anos noventa. E o timbre estilo berimbau do baixo do Fieldy também aparece pouco, infelizmente. Se eu pudesse definir esse disco em poucas palavras, diria que ele é em cima do muro.


Muito do que a banda é se deve a voz de Jonathan Davis que permaneceu excelente durante todo esse tempo, mantendo assim uma das suas principais características. Pode ser que 'TPS' tenha sido um ponto de mudança. E mesmo tendo potencial pra ter sido muito mais, perto do que vinha sendo feito ele é até acima da média. Como fã, não estou nutrindo muitas esperanças pro que possa sair daqui pra frente. Mas é esperar pra ver qual será o ponto de cisão do próximo disco, se vai seguir vivendo de lampejos do passado ou lançar mais um grande trabalho com seu experimentalismo que tantas vezes primava pela sua dosagem na medida certa.

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