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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Arch Enemy em São Paulo

By Marcus Benevides20:16:00Arch Enemy, Liberation, São Paulo, show, Walls of Jericho

Imagino que um dos grandes desafios que se possa existir na vida de um músico seja como saber ter domínio do palco. Entender o seu público, fazê-lo responder a música e tentar estabelecer uma conexão entre banda e ouvinte, para se criar uma coisa única e poderosa. Essa presença de palco é um link fundamental para que isso aconteça, especialmente para um nicho tão exigente quanto o público do metal. 

Foto: Fernando Pires

Ainda que a maior parte do público estava no Audio Club na noite de sábado (17) para ver o Arch Enemy, primeiro haveria uma apresentação cabulosa dos americanos do Walls of Jericho. A frontwoman da banda de hardcore impunha a agressividade e raiva do jeito que o som pede. Candace consegue ser versátil ainda que dentro da voz poderosa que o gênero exige. Flutuava entre um gutural de Death Metal e a voz mais rasgada do HC como poucos. Mantendo-se sempre em contato com o público, a vocalista convidava todos para o mosh pit seja através de seus gestos, de discursos diretos entre a pausa de uma música para outra ou com sua presença que mais se assemelhava a um monstro, tamanho poder emanado por Kucsulain e o restante do grupo. Certamente, saíram de lá com mais fãs do que quando chegaram ao Brasil.

Foto: Fernando Pires


Com pontualidade, o Arch Enemy subiu ao palco iniciando o concerto com o primeiro single do álbum mais recente Will To Power.  "Se você quiser o mundo, use a sua mente", um toque de objetivismo na letra da música deixa o refrão ainda mais poderoso e dita todo o ritmo da apresentação logo na abertura. "The World Is Yours" não é a única com mensagem objetiva no set, "The Eagle Flies Alone" também segue na mesma linha. Em um mundo moderno tão perpetuado pelo hedonismo, combinar o espírito de buscar o melhor do potencial humano com o Death Metal é quase impossível dar errado, e os fãs entenderam perfeitamente o recado.

Foto: Fernando Pires

No fundo, presença de palco é uma forma de comunicação. E Alissa White-Gluz faz isso com propriedade. A canadense captou o que Bruce Dickinson disse uma vez sobre você "buscar conversar com o cara lá do fundo da platéia". Conduzia os seus fãs como uma maestro deve fazer com uma orquestra. Conduziu o seu público para que abrissem rodas ou fizessem o coro de músicas como "My Apocalypse". A música era a unidade central daquilo que conectava uma casa lotada de gente com camisetas pretas.

Foto: Fernando Pires
Difícil ficar indiferente ou não se arrepiar com músicas como "War Eternal" ou a clássica "Nemesis". Muito mais incríveis do que as suas respectivas versões de estúdio, pois o fator da interação do público mais banda torna tudo muito melhor e mais grandioso do que aquilo que muitas vezes fica limitado apenas ao seu par de fones de ouvido. Com repertório que fluiu entre as diversas épocas da banda, o Arch Enemy vai estabelecendo cada vez mais a sua nova vocalista. Seu carisma e simpatia somados ao talento da sua voz são as ferramentas que ela precisa para conquistar o mundo... ao menos um pequeno pedaço dele, eu diria.



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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Como foi: Korn em São Paulo

By Marcus Benevides12:22:00Espaço das Américas, Korn, New Metal, show, SP

Há quase sete anos da apresentação de 21 de abril no Credicard Hall em São Paulo, o Korn voltou a se apresentar em terras paulistanas pela quarta vez em sua carreira. Dessa vez, com a ausência do baixista Fieldy e substituído com muita propriedade pelo filho de Robert Trujillo, Tye. Uma baixa que deixou muita gente receosa e chuto dizer que alguns até devem ter desistido de ir ao show... o que seria uma pena, pois o que se viu no Espaço das Américas foi inesquecível.

Cheguei ao local pouco tempo antes da abertura dos portões, pude observar que as filas estavam pequenas e me questionei se daria um bom público ou não. Mas conforme foi se aproximando do horário do show, a casa foi enchendo e por ser no meio da semana, muitas pessoas saíram direto do trabalho para o evento, algumas estavam até de roupa social. Vale destacar a ótima organização do evento, apesar de os ingressos estarem bem salgados - R$ 480 pista premium e R$280 a comum -, o Espaço é um lugar ótimo, tem excelente localização e acústica, com os serviços funcionando muito bem sem nenhum tipo de transtorno. Antes da atração principal, Robertinho de Recife fez uma apresentação muito boa, com destaque para o cover de "The Trooper" do Iron Maiden, que agitou um pouco a galera. Eu só faria uma crítica em relação a isso, pra que os produtores de eventos tivessem um pouquinho mais de conhecimento do público alvo para não colocarem bandas de abertura tão deslocadas e que correm até o risco de levar umas vaias, já vi muito disso acontecer.

Passada toda a espera e ansiedade, finalmente estávamos diante da grande atração! Desde já, vou atestar aqui: esse foi o meu terceiro show do Korn e disparado o melhor deles! A banda iniciou o set com duas músicas bem pesadas: "Right Now" e "Here to Stay" fizeram São Paulo respirar o New Metal como se estivesse no começo dos anos 2000. Algumas das novidades deste show seria ver o pedestal do Jonathan Davis e como o público reagiria as músicas do último álbum lançado. A primeira a ser tocada foi "Rotting in Vain" e foi incrível como a galera agitou nessa hora. O mesmo vale dizer para a execução de "Insane", havia uma conexão muito bonita entre banda e público na noite paulistana. Logo depois da pancada de "Somebody Someone", senti uma quebra de ritmo com "Word Up!" e "Coming Undone". Pudera, foi o tempo que usei para tomar um pouco de ar e voltar a cantar e pular em uma sequência que teve "Y'All Want a Single", a emocionante "Make Me Bad" e a paulada de "Shoots And Ladders" plus trechinho de "One".

Mas e o Tye Trujillo? O garoto foi perfeito, não há o que reclamar. Substituiu a altura o Fieldy, teve espaço para um solo de baixo junto com as porradas na batera do Ray Luzier e caiu nas graças da galera. Meu único receio em relação ao mini Trujillo, era que ele colocasse algumas firulas que não fazem parte da música original para marcar presença, o que definitivamente não ocorreu. Logo depois do solo, a casa veio abaixo com a brutalidade de "Blind", emendado com "Twist" e "Good God" do Life Is Peachy. A banda encerrou a apresentação com "Falling Away from Me" e "Freak on a Leash", deixando eu e mais um monte de gente em puro estado de êxtase.

Comparando com os outros shows que já fui, esse foi bem especial. Havia uma energia muito intensa, a interação da banda e a maneira como o público respondeu foi diferente das outras vezes. Foi um show que quem viu, viu e quem não viu, não vê mais. 19 de abril foi dia calçar seu adidas e dar umas ciscadas, era dia de New Metal, bebê.




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