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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Como foi: Korn em São Paulo

By Marcus Benevides12:22:00Espaço das Américas, Korn, New Metal, show, SP

Há quase sete anos da apresentação de 21 de abril no Credicard Hall em São Paulo, o Korn voltou a se apresentar em terras paulistanas pela quarta vez em sua carreira. Dessa vez, com a ausência do baixista Fieldy e substituído com muita propriedade pelo filho de Robert Trujillo, Tye. Uma baixa que deixou muita gente receosa e chuto dizer que alguns até devem ter desistido de ir ao show... o que seria uma pena, pois o que se viu no Espaço das Américas foi inesquecível.

Cheguei ao local pouco tempo antes da abertura dos portões, pude observar que as filas estavam pequenas e me questionei se daria um bom público ou não. Mas conforme foi se aproximando do horário do show, a casa foi enchendo e por ser no meio da semana, muitas pessoas saíram direto do trabalho para o evento, algumas estavam até de roupa social. Vale destacar a ótima organização do evento, apesar de os ingressos estarem bem salgados - R$ 480 pista premium e R$280 a comum -, o Espaço é um lugar ótimo, tem excelente localização e acústica, com os serviços funcionando muito bem sem nenhum tipo de transtorno. Antes da atração principal, Robertinho de Recife fez uma apresentação muito boa, com destaque para o cover de "The Trooper" do Iron Maiden, que agitou um pouco a galera. Eu só faria uma crítica em relação a isso, pra que os produtores de eventos tivessem um pouquinho mais de conhecimento do público alvo para não colocarem bandas de abertura tão deslocadas e que correm até o risco de levar umas vaias, já vi muito disso acontecer.

Passada toda a espera e ansiedade, finalmente estávamos diante da grande atração! Desde já, vou atestar aqui: esse foi o meu terceiro show do Korn e disparado o melhor deles! A banda iniciou o set com duas músicas bem pesadas: "Right Now" e "Here to Stay" fizeram São Paulo respirar o New Metal como se estivesse no começo dos anos 2000. Algumas das novidades deste show seria ver o pedestal do Jonathan Davis e como o público reagiria as músicas do último álbum lançado. A primeira a ser tocada foi "Rotting in Vain" e foi incrível como a galera agitou nessa hora. O mesmo vale dizer para a execução de "Insane", havia uma conexão muito bonita entre banda e público na noite paulistana. Logo depois da pancada de "Somebody Someone", senti uma quebra de ritmo com "Word Up!" e "Coming Undone". Pudera, foi o tempo que usei para tomar um pouco de ar e voltar a cantar e pular em uma sequência que teve "Y'All Want a Single", a emocionante "Make Me Bad" e a paulada de "Shoots And Ladders" plus trechinho de "One".

Mas e o Tye Trujillo? O garoto foi perfeito, não há o que reclamar. Substituiu a altura o Fieldy, teve espaço para um solo de baixo junto com as porradas na batera do Ray Luzier e caiu nas graças da galera. Meu único receio em relação ao mini Trujillo, era que ele colocasse algumas firulas que não fazem parte da música original para marcar presença, o que definitivamente não ocorreu. Logo depois do solo, a casa veio abaixo com a brutalidade de "Blind", emendado com "Twist" e "Good God" do Life Is Peachy. A banda encerrou a apresentação com "Falling Away from Me" e "Freak on a Leash", deixando eu e mais um monte de gente em puro estado de êxtase.

Comparando com os outros shows que já fui, esse foi bem especial. Havia uma energia muito intensa, a interação da banda e a maneira como o público respondeu foi diferente das outras vezes. Foi um show que quem viu, viu e quem não viu, não vê mais. 19 de abril foi dia calçar seu adidas e dar umas ciscadas, era dia de New Metal, bebê.




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sábado, 16 de julho de 2016

Como o New Metal chegou ao topo - Pt. II

By Benevides de Souza13:26:00Coal Chamber, Limp Bizkit, Linkin Park, Matéria, New Metal

Uma matéria extremamente interessante que vi na Metal Hammer e traduzi em primeira mão para o blog. Ela fala como o New Metal cresceu, chegou ao topo, perdeu força e voltou a ser lembrado nos últimos anos, além de fazer um paralelo muito maneiro sobre as vestimentas de quem fazia parte desse "movimento". Queria agradecer também ao meu bróder Max que deu um baita help na tradução (inglês britânico é um caralho pra traduzir). Por ser muito grande, a dividi em duas partes. Para ler o primeiro post é só clicar aqui. 
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Nenhum outro lugar essa mentalidade de gangue era mais forte do que no Ozzfest. Fundado em 1996 como um festival de dia único/mini tour em três cidades diferentes, se tornou no ano seguinte um enorme sucesso e uma luz para esses malucos e esquisitões no palco e fora dele.

"Ozzfest foi incrível", diz Dez Fafara. "Foi a primeira vez nos EUA que vimos algo do tipo. 'Você quer dizer que podemos ir e ver trinta bandas?' Essas crianças se envolviam pesadamente com a música, quem ia pra escola vestido como as bandas que curtiam e arrumavam confusão por isso, eram elas que iam nos ver. Eles queriam sentir algo que fosse deles. Sentir que pertenciam a algo mais poderoso do que eles mesmos". A forma do sucesso do Ozzfest desencadeou uma série de turnês multi-bandas, a mais notável foi a sofisticada Family Values do Korn, que começou em 1998. O Limp Bizkit tocou em ambos eventos e teve um papel importante no crescimento que marcou a fase imperial do New Metal.

"Eu sou um cara que não consegue chegar em mulheres bonitas e pedi-las em namoro", falou Durst. "Eu fui disso para quartos cheio de pessoas que fariam qualquer coisa pra mim. Com certeza tentei aproveitar o máximo que podia. Houve momentos de loucura que eu não podia acreditar que estavam acontecendo. Lembro de uma vez que cerca de quinze garotas abaixaram e tinha uma delas com uma tigela cheia de morangos, colocando eles na bunda das outras meninas. A gente só ficou assistindo, pensando: 'Que porra é essa? Isso só acontece depois dos vídeos do Mötley Crue!'"





Foi uma banda de New quem finalmente enfiou uma estaca no coração da cena que os criou. Em 2000, o Linkin Park lançou o seu primeiro álbum, Hybrid Theory. Foi um sucesso instantâneo, vendendo 5 milhões de cópias em doze meses (as vendas eventualmente ultrapassaram os 10 milhões). Linkin Park soava como uma banda de New Metal, mas se vestia como uma boy band. Eles não xingavam, não bebiam, e certamente não colocavam morango nas nádegas de ninguém.

A derrocada do sucesso foi que elevou expectativas para níveis irreais, sugando o oxigênio da sala e todo mundo saindo para tomar um ar. Uma banda como Coal Chamber, que parecia e soava como uma explosão em uma fábrica de pregos não tinha nenhuma chance nesse clima novo e hiper-comercial.

De nada ajudou os excessos pessoais e químicos do passado anos atrás, que agora começavam a anunciar uma tragédia. Membros do Korn e Deftones tendo problemas com drogas, igual a três membros do Coal Chamber, que se separaram após o terceiro álbum, Dark Days. "Drogas e dinheiro estavam nos separando", disse Dez Fafara. O Limp Bizkit tinha seus próprios problemas. O terceiro disco, Chocolate Starfish And The Hotdog Flavored Water, foi um grande sucesso em 2000. Mas pra todos que gostavam deles, haviam 10 que os odiavam - especialmente Fred Durst. Um deles era o seu guitarrista, Wes Borland, que saiu em 2001, parte porque estava constrangido com que a banda havia se tornado.

"Havia um monstro vivendo por aí e ele tinha um boné vermelho", admite Fred. "Eu pensava: 'Esse cara? Quem ele pensa que é?' Parecia o Tyler Durden do Clube da Luta". Foi o desastroso álbum de 2003 do Limp Bizkit, Results May Vary, que bateu de vez no botão do que restava da cena. Foi um fracasso e eles eram os culpados disso. "Fomos para o underground", simplificou Fred, ainda que você possa debater que essa decisão estava fora do alcance deles.

Ao longo dos anos, New Metal se tornou uma palavra suja. Alguns grupos caíram no esquecimento (Korn, Limp Bizkit), outras espertamente se desgarram (System Of A Down), algumas se reinventaram puxando mais para o rock n' roll (Papa Roach). Outros, como o Slipknot, até permaneceram em uma trajetória crescente, embora permaneçam firme em uma minoria.

Mas uma coisa estranha aconteceu. A passagem do tempo e o vácuo de uma cena decente para preencher os desajustados criou uma nostalgia pelo New Metal. O line-up de 2013 do Download Festival tinha Korn, Slipknot, Limp Bizkit e o reformado Coal Chamber. Mais recentemente, novas bandas como Cane Hill usaram as influências do gênero descaradamente na capa do seu disco.

"Eu olho pra trás e eu vejo o quão foi significante pra caralho isso", disse Dez Fafara. "Algumas das maiores bandas desse planeta vieram direto daquela cena - Slipknot, Korn, System Of A Down. Todos vieram de lá. E o motivo é que era tão diferente. A música, o visual, as pessoas. Havia alguma coisa naquela cena que era realmente de coração. E temos orgulho de fazer parte disso".


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Como o New Metal chegou ao topo - Pt. I

By Benevides de Souza13:25:00Coal Chamber, Korn, Limp Bizkit, Matéria, New Metal

Uma matéria extremamente interessante que vi na Metal Hammer e traduzi em primeira mão para o blog. Ela fala como o New Metal cresceu, chegou ao topo, perdeu força e voltou a ser lembrado nos últimos anos, além de fazer um paralelo muito maneiro sobre as vestimentas de quem fazia parte desse "movimento". Queria agradecer também ao meu bróder Max que deu um baita help na tradução (inglês britânico é um caralho pra traduzir). Por ser muito grande, a dividi em duas partes. Se você é fã de New Metal ou simplesmente um hater do estilo, vale e muito a pena ler tudo. Enjoy it!
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Por Dave Everley

Em 27 de outubro de 1995, uma banda emergente de Bakersfield, California, tocou pela primeira vez no clube britânico LA2, em Londres. O auto intitulado álbum de estreia causou um pequeno reboliço no país dos rockeiros mais bem informados, dos quais 800 estavam lá naquela noite. O nome da banda era Korn e se não eram tão desconhecidos assim, certamente eram cavaleiros negros. Meio que literalmente no caso do cantor Jonathan Davis, um ex-assistente de necrotério que sussurrava, cortava e gritava do seu jeito em um set de músicas sobre insegurança, perversões sexuais e abuso infantil.

Korn soava parecido com o que havia surgido antes. Eles pegaram a pegada rap-metal do Faith No More, Rage Against The Machine e do Red Hot Chilli Peppers e transformaram em algo irreconhecível. Guitarras com afinações baixas, letras pintadas com tons sórdidos e ainda uma gaita de fole durante uma parte do show. Para aquelas 800 pessoas no LA2, este era o som do futuro. A cena que o Korn liderou seria o maior barulho de todos no rock. As bandas que surgiram depois eram uma coleção espantosa de desajustados, esquisitões e revoltados.

Esse movimento logo seria rotulado de New Metal. Era o som dos lunáticos tomando conta do asilo.





Los Angeles estava morta no começo dos anos 90. O Glam Metal estava já nos últimos suspiros e o Grunge, que havia encontrado um lugar no sol, não seria visto acabado na Sunset Strip. Restava, então, que algumas bandas locais construíssem algo novo. Uma dessas bandas era o Coal Chamber, cujo vocalista Dez Fafara - filho do ex-ator infantil, Tiger Fafara - era um fã de Punk Rock e Synth-Pop oitentista. Quando Dez criou o Coal Chamber em 1994, eles faziam um show padrão de rock alternativo. Foi só depois de abaixarem a afinação da guitarra que notaram outras bandas fazendo o mesmo.

"Em 92 ou 93, os clubes não faziam nada, ninguém ligava pra eles", disse. "Mas quando você passa a ver todas essas bandas tocando nesses lugares - Coal Chamber, Deftones, System Of A Down. Korn trazia ônibus lotados de pessoas do condado de Orange. A parada é, todos tinham que soar diferente e se vestir diferente pra ficar. Usávamos Dickies (marca de roupa americana) e cabelo trançado pra ficar mais próximo do nosso lado gótico. Era por isso que a gente se vestia de um jeito tão maluco".





Ao mesmo tempo, algo emergia na Florida. Liderado pelo tatuador Fred Durst, o Limp Bizkit estava fazendo barulho no seu bairro, Jacksonville. Mais explicitamente envolvido com o Hip-Hop do que as outras bandas da California, o seu vocalista, entretanto, nunca negou seu status.

"Éramos a ovelha negra - ou branca", disse. "Não éramos nem rap, nem metal. Simplesmente não ligávamos e sempre tentamos dizer isso de forma escandalosamente sincera. Eu acho que isso era uma das coisas que mais detestavam na gente". O Limp Bizkit morava a mais de 3 mil milhas de Los Angeles, mas logo se tornaram membros honorários dessa nova fraternidade de malucos depois que Fred deu a demo da sua banda nas mãos do Korn quando os caras tocaram em Jacksonville.

Eles entraram no barco naquele exato momento. A cena foi lentamente ganhando tração: Korn lançou seu primeiro álbum em outubro de 94; Deftones lançou Adrenaline no ano seguinte, A coisa toda teve seu momentum quando o Sepultura lançou o Roots no começo de 1996. A faixa 'Cutaway' têm participação de Jonathan Davis e DJ Lethal do então desconhecido Limp Bizkit, além do padrinho involuntário da bagaça, Mike Patton do Faith No More.

Na época em que Limp Bizkit lançou seu álbum de estreia, Three Dollar Bill Y’All$, em 1997, as coisas estavam indo tão rápidas que tudo o que Fred Durst podia fazer era segurar seu boné vermelho. "Apenas aconteceu", diz. "Não tínhamos tempo para prestar atenção. Eu estava literalmente cuspindo qualquer coisa para manter a banda no caminho. Estávamos rindo todo dia pelo fato de isso ter existido, em primeiro lugar."

Fred pode ter rapidamente se apresentado como o mestre egocêntrico do New Metal, mas ele insiste que debaixo do fanfarrão excêntrico existiu um homem tímido, inseguro e ainda suportando as cicatrizes mentais do bullying sofrido na infância. O sucesso florescente da banda foi um grande dedo do meio para todos aqueles que fizeram de sua vida um inferno. "Eles arruinaram minha vida, e eu pensei que eles também arruinaram a vida dos nossos fãs", diz. "Eu realmente imaginei que as pessoas estavam reconhecendo de onde eu vim – um cara que finalmente se levantou e revidou. A ironia é que os próprios valentões passaram a curtir a música."

Esse senso de deslocamento – pessoal e musical – alimentou uma camaradagem entre as bandas.

"Toda vez que o Coal Chamber tocava, eu chamava o System para abrir para a gente", conta Dez. "Nos primeiros dias, antes da fama, o Limp Bizkit passava aqui para dar um oi. Quando o Coal Chamber gravou o primeiro disco, o Fieldy do Korn apareceu e emprestou seu equipamento para o Rayna [baixista original do Coal Chamber].” Com o Ozzfest e o Family Values, a represa cedeu. O New Metal se tornou de fato uma proposta mainstream. Follow the Leader (Korn) e Significant Other (Limp Bizkit) eram hits globais, pavimentando o caminho para uma nova onda de bandas pegarem carona. Teve Static-X de Chicago, cujo vocalista, o falecido Wayne Static, ostentou um penteado que lembrava o resultado de um bizarro acidente elétrico. Tinha o Orgy, um bando de cabeludo metaleiro com lápis no olho que pareciam o Duran Duran em pijamas de couro. Houve o Snot, Human Waste Project, Videodrone, Adema e outras incontáveis vestimentas esquecíveis, todos com suas peças 'malucas', todos abraçando o 'esquisito'.





Confira aqui a segunda parte
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

#AgoraTocando: Deftones - Gore

By Benevides de Souza11:03:00#AgoraTocando, Deftones, Gore, New Metal

Tem tempo que venho dizendo que o Deftones era a melhor banda da atualidade. Embora eles possam não te agradar logo de cara, muitas vezes é preciso ir ouvindo aos poucos. Não é um som pra qualquer um, ele soa de forma complexa mesmo não sendo, e acredito que isso se deva ao fato do incrível número de elementos diferentes que da pra encontrar na música deles. Principalmente porque as canções são puro feeling. É como se exigisse um certo estado de espírito para ouvi-los, pois tudo é feito de uma forma incrivelmente bonita. Sim, bonito a ponto de você quase chorar de tão incrível e profundo que a banda consegue ser. Isso é algo orgânico, natural, sendo o seu grande diferencial e que leva todo mundo a exaltação máxima, podendo vir por parte de uma melodia, letra, virada de batera ou até mesmo um efeito de sintetizador.

Sempre achei impressionante a capacidade dos californianos de produzirem álbuns ótimos e como mantiveram esse padrão de qualidade por tanto tempo. Você tem desde o importante 'Adrealine', passando pelo clássico 'White Pony' e quando você acha que não tem como melhorar mais, vem um 'Diamond Eyes' e 'Koi No Yokan' pra fazer você dizer: "Puta merda, eles não erram nunca". E eles erraram, pode não ser aquela porcaria toda, mas erraram. 'Gore' é muito abaixo do que vinha sendo feito e do que se está acostumado do Deftones. É um disco mediano, que fica apenas no arroz e feijão (salvo algumas exceções, como 'Phantom Bride'). Como se faltasse alguém pra chegar e falar: "Volta lá pro estúdio de novo, bora fazer isso direito, meu filho!".

Eu fiquei empolgado quando lançaram o primeiro single, 'Prayers/Triangles'. Tava tudo dentro dos conformes até sair a declaração do guitarrista Stephen Carpenter dizendo que "não gostou da guitarra nesse disco e que a banda estava o abandonando" junto com a música 'Doomed User' que não empolgava muito. É um ponto do qual eu concordo com Steph. 'Gore' tem o som de guitar mais feio de toda a discografia da banda. Um exemplo que ilustra isso é em '(L)MIRL', onde a música até tem uma construção razoável no início e quando chega na hora da parte bonita que você tanto espera entra umas notas de guitarra bem borocoxô e tu fica:

Ma-mas... é só isso aí?!

Só que esse não é o único problema. A dinâmica que sempre foi uma peculiaridade do Deftones é extremamente mal trabalhada e o DJ Frank Delgado fica totalmente descartável. Falta o algo a mais, como em 'Acid Hologram', por exemplo. Parece uma banda tentando se encontrar e que sai experimentando a torto e a direita. É um puta anti-clímax sendo que o disco abre logo com 'Prayers/Triangles', justamente uma das poucas que se salvam. Mesmo sendo uma das mais pesadas, a faixa título também é desanimadora. O excesso de efeitos de reverberação na voz de Chino Moreno não funciona e a música nitidamente se alonga mais do que deveria.

Recentemente, li uma entrevista onde Chino dizia que o quinto álbum foi muito complicado de ser feito porque havia muita tensão entre os membros e isso resultou em uma produção bastante preguiçosa. Pouco depois, ocorreu o acidente de carro com o baixista Chi Cheng, que infelizmente veio a falecer e Sergio Vega entrou no lugar. O vocalista claramente diz que esse triste fato fez com que unisse os caras de novo, resultando em dois grandes discos posteriormente. Eu também reparei que os perfis das redes sociais da banda têm postado muitas entrevistas tentando explicar o que foi feito e reviews dizendo coisas positivas sobre o novo trabalho, achei isso curioso porque não lembro de ocorrer algo assim na época do 'Koi No Yokan' que é excepcional. Se eu estiver enganado, por favor, me corrijam nos comentários.

A minha teoria é de que, assim como em 'Saturday Night Wrist', eles não gostaram muito do que foi feito em 'Gore'. A produção chegou a parar no meio do caminho enquanto a banda saiu em turnê sem tocar nenhuma música nova, o motivo alegado foi de que o grupo não aprovou a mixagem feita pelo produtor Matt Hyde. Acredito que esse seja mais um CD feito sob tensões entre os membros e o resultado foi uma produção totalmente feita nas coxas e que ninguém estava disposto a sair do arroz e feijão de sempre, só que dessa vez deixaram as panelas queimarem um pouquinho.





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sábado, 26 de março de 2016

Korn: Resquícios do que um dia já foi

By Benevides de Souza10:21:0000s, Artigos, Korn, New Metal

Olá, pessoas! Como havia dito, aqui vai a segunda parte dos comentários da discografia do Korn. Caso você ainda não tenha visto a primeira, clique aqui para conferir. Em 'Take a Look in The Mirror' eles tiveram o último suspiro do som consagrado que faziam. Lembra que comentei sobre qual era a essência da banda? Senão, aqui vai um breve recapitula: o dueto de guitarras com afinações bem baixas e um som marcante, o baixo com muitos slaps e também com timbre MUITO peculiar, a bateria com uma pegada funk/hip-hop americano e o vocal de Jonathan Davis. Essas informações são muito importantes pro texto a seguir.  Ahh, também vale ressaltar que dois dos membros originais ficaram de fora de alguns trabalhos que vou abordar aqui (mas um voltou recentemente), tendo um peso muito grande e que deve ser levado em conta. Sem mais delongas, vamos começar!

See You On The Other Side/Untitled - 2005/2007


Como fiz anteriormente, vou comentar dois álbuns em uma tacada só devido as suas similaridades. 'See You On The Other Side' marca o primeiro trabalho sem o guitarrista Head. Seria redundante dizer que junto com a saída do mesmo também se foram os duetos de guitarras, né. Além de certos elementos que só ele trazia a banda. Uma coisa que esqueci de falar é que, por mais experimental que o Korn seja, tudo era extremamente bem dosado, dificilmente havia alguma coisa em excesso. E em 'SYOTOS' é onde a parada desanda. As batidas eletrônicas e o uso de sintetizadores passam do ponto. Como se os efeitos estivessem ali pra preencher uma certa lacuna (entendeu, né?). Em alguns momentos chega a quase sobrepor o instrumento tocado (batida da caixa em Coming Undone) e em outros a guitarra tem pouquíssimo destaque (Love Song). O próprio produtor escolhido aponta para essa linha mais eletrônica que a banda resolveu tomar (The Matrix é responsável por trabalhar com artistas pop como Britney Spears e Shakira).

A pegada se manteve no disco seguinte. 'Untitled' foi lançado dois anos depois e, dessa vez, sem o baterista original, David Silveria. O resquício que havia de um dos elementos principais no álbum anterior se foi junto. Os encarregados pelas baquetas foram Terry Bozzio, Brooks Wackerman e o próprio Jonathan Davis. E o baixo? O baixo foi totalmente descaracterizado. Aquele monte de slaps com um som que mais parecia um berimbau e era quase uma assinatura de quem eles eram já tinha ido embora no 'SYOTOS' e a coisa se manteve assim. Teclados e sintetizadores se destacam mais do que a guitarra (Kiss) e músicas típicas de bandas Industrial Metal (Do What They Say) com muita densidade, cadência e efeitos eletrônicos foi o tipo de som que produziram na época.

Korn III: Remember Who You Are - 2010


Mais uma tentativa de ~retorno as raízes~ foi feita. Dessa vez com o produtor dos dois primeiros discos, Ross Robinson. 'Korn III' é tão forçado que as gravações foram feitas em equipamentos totalmente analógicos, sem nenhum processamento digital. Tudo pra tentar se aproximar do timbre e atmosfera característico dos primeiros trabalhos. Tinha tudo pra dar certo, não? Pois é, mas não deu. Este também foi o primeiro álbum com o novo baterista, Ray Luzier. Que apesar de ser muito talentoso, não trouxe aquela pegada funk de volta. Por se aproximar muito do som antigo, fica nítido a falta de Head no trabalho de guitarras. Era como se antigamente elas preenchessem a música, como se "abraçassem" os outros instrumentos, saca? O que não ocorre aqui. O baixo volta com os slaps, mas talvez seja um dos poucos pontos positivos do CD. Reverbs mal colocados (Fear is a Place to Live), arranjos feios (Lead the Parade) e a tentativa de "inovar" colocando um solo de guitarra (Holding All These Lies), não funcionaram nem um pouco. Particularmente, acho que esse disco tem os refrões mais horríveis da banda. Coisa que sempre foi muito bem feita e de forma bem bonita.

The Path Of Totality - 2011


Em 2011 Jonathan Davis resolve trazer as batidas pesadas de dubstep (uma vertente da música eletrônica) para o Korn. E um argumento que costumo ouvir muito é: "deveria ser aplaudido a tentativa de fazer algo diferente". Só que na verdade a única coisa que tem de diferente é o exagero de dustep. Especialmente quando você para pra pensar que a música eletrônica sempre esteve lá. Muitas vezes feita pelas guitarras, não precisando em nenhum momento de DJs ou sintetizadores. Mesmo com relances do som antigo (Narcisstic Cannibal) e refrões que até lembram o 'Untouchables' (especialmente em Chaos Lives In Everything), é uma vibe parecida com os álbuns de 05 e 07. Tão parecida que até músicas densas e cadenciadas típicas de uma banda Industrial estão de volta (Sanctuary). Com um adendo que muitas vezes você nem sabe o que é bateria e o que é dubstep. O que me faz pensar que, se era quase pra substituir um instrumento por um sample eletrônico, por que o JD não se juntou com esse monte de produtor de dubstep e fez logo um álbum solo só com isso?

The Paradigm Shift - 2013


Dez anos depois de 'Take a Look', Head retorna a banda e é lançado 'The Paradigm Shift' em outubro de 2013. O álbum flerta com momentos muito bons (Prey For Me) e outros muito ruins (sim, estou falando de Never Never já que parece até sobra do álbum anterior). A parte boa é que os riffs grandiosos voltaram e também elementos que andavam meio ausentes (duetos, lembra?), ainda que meio tímido de certa forma. A parte ruim é que o lado eletrônico tem hora que escorrega (Spike in My Veins) e não é mais aquele som sujo dos anos noventa. E o timbre estilo berimbau do baixo do Fieldy também aparece pouco, infelizmente. Se eu pudesse definir esse disco em poucas palavras, diria que ele é em cima do muro.


Muito do que a banda é se deve a voz de Jonathan Davis que permaneceu excelente durante todo esse tempo, mantendo assim uma das suas principais características. Pode ser que 'TPS' tenha sido um ponto de mudança. E mesmo tendo potencial pra ter sido muito mais, perto do que vinha sendo feito ele é até acima da média. Como fã, não estou nutrindo muitas esperanças pro que possa sair daqui pra frente. Mas é esperar pra ver qual será o ponto de cisão do próximo disco, se vai seguir vivendo de lampejos do passado ou lançar mais um grande trabalho com seu experimentalismo que tantas vezes primava pela sua dosagem na medida certa.

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quarta-feira, 2 de março de 2016

Korn em sua melhor fase

By Benevides de Souza20:47:0090s, Artigos, Korn, New Metal

Salve, pessoas! Acabei por estender um pouco as postagens sobre o Korn e resolvi comentar sobre a discografia deles pra quem tiver a fim de conhece-los melhor! Vou fazer um apanhado geral sobre as principais diferenças de um CD para o outro e assim que possível, publico a segunda parte dos comentários aproveitando pra explicar porque a banda está uma bosta já faz algum tempo. Ahh, antes que esqueça, vou começar falando a partir do segundo álbum. Se você quiser saber a importância do primeiro trampo é só conferir este post aqui.

Antes de mais nada, será preciso estabelecer algumas coisas. É importante ressaltar que toda banda tem uma base de quem ela realmente é. Características que fazem com que você identifique o tipo de som, em outras palavras, podemos dizer que é a sua essência. O Korn não só ficou imortalizado pelo seu experimentalismo em misturar diversos tipos de músicas, mas também pela forma com a qual fazia isso. E as marcas registradas, ou melhor, a sua essência, eram: o dueto de guitarras com afinações bem baixas, o baixo com um timbre MUITO peculiar cheio de slaps, uma bateria com bastante influência de funk/hip-hop americano e a performance vocal de Jonathan Davis. Dentro desta base, você vai trabalhando outros elementos. Vê o que fica bom, tira o que ficou ruim, muda algumas coisinhas, testa uma coisa aqui e outra ali e plau! Eis aqui um novo disco sem que soe mais do mesmo! Tudo isso é importante pra entender esse texto e o que vou falar mais pra frente, então lembre-se sempre destas informações.

Life Is Peachy - 1996

O segundo álbum começou a ser gravado logo após uma turnê estressante e também foi produzido pelo Ross Robinson. A primeira diferença que se nota logo de cara do 'Life Is Peachy' pro seu antecessor é que há uma agressividade muito maior. O 'Self Titled' tem um tom mais pesado e denso (até pelo conteúdo lírico) enquanto que aqui um sentimento de raiva predomina mais e isso também é transmitido pelo Jonathan Davis. O lado mais Industrial (se você não sabe o que exatamente é, ouve isso aqui) está bem destacado entre diversas distorções e efeitos de guitarras, sem contar algumas partes sem noção como em Twist, Wicked (Ice Cube Cover) junto com o Chino do Deftones e nas letras escrachadas de K@#Ø%! e do clássico A.D.I.D.A.S.. Particularmente, acho que esse CD tem o timbre de baixo mais foda da discografia dos caras.


Follow The Leader/Issues - 1998/1999

Optei por falar desses dois álbuns numa tacada só não apenas pelo pouco tempo de diferença, mas também por suas similaridades e importância. O 'Follow The Leader' chegou as lojas em agosto de 98 e é o maior sucesso comercialmente falando até hoje. Esse sucesso alavancou duas coisas ao mainstream: a própria banda (óbvio) e o gênero New Metal. A importância se deve muito pela veia Hip-Hop presente na sonoridade do disco. A faixa inicial, It's On!, já mostra isso, indo do groove aos riffs das guitarras. Lembra um pouco as batidas feitas em pickups, saca? Aqui também conta com participações dos rappers Ice Cube (em Children of the Korn) e Tre Hardson (em Cameltosis). O malandro do Fred Durst também faz uma ponta em All in the Family no maior estilo rap battle com Jonathan Davis. Agora em um novo patamar, os caras passaram a ter clipes com qualidade de cinema e até a organizarem o próprio festival com bandas do estilo, abrindo ainda mais as portas para uma enxurrada de grupos novos. No ano seguinte, veio o 'Issues'. Acredito que pela proximidade das produções, muitas vezes acho que o CD foi feito a partir de sobras do 'Follow'. Mas, com uma enfase muito maior nas partes melódicas. É aqui que você encontra as melodias mais bonitas da banda, sendo Trash e Counting ótimos exemplos disso. A parte eletrônica aqui tem um destaque maior do que no antecessor e isso contribui na tonalidade do álbum, que possui letras mais deprês. Você pode notar isso muito bem no single Make Me Bad.

Untouchables - 2002

Aqui chegamos ao apogeu da banda, criativamente falando. 'Untouchables' pode até ser considerado um álbum a frente do tempo que foi lançado, talvez por isso alguma parcela de fãs tenha entortado o nariz pra ele. Porém, com o passar do tempo recebeu o seu devido valor. A primeira grande diferença para o que foi feito até então é um peso absurdo nas guitarras (que me impressionam até hoje). É o trabalho mais guitar driven dos caras e também onde aparecem efeitos de sintetizadores que se encaixam muito bem nas melodias, dando um brilho e uma ambiência diferenciada nas músicas junto com uma presença maior de backing vocals. Se você pira em riffs de guitarras este é O DISCO. Tem desde tapas na cara como Here to Stay e Blame até cadência e densidade como em Beat It Upright e No One's There. Ahh, sim... este é o meu álbum preferido!

Take A Look In The Mirror - 2003

Se um ano antes eles chegaram ao ápice, em 'Take A Look' as coisas começaram a desandar um pouco. Último trabalho feito com a formação original (tempos depois o guitarrista Head sairia da banda). A ideia principal era "voltar as raízes" dos primeiros trabalhos. Tanto que regravaram até a demo de Alive, um dos seus primeiros registros. Mesmo tendo algumas boas músicas tipo Counting On Me e I'm Done, falta um diferencial. Não tem um contorno emocional empolgante, a música eletrônica foi deixada mais de lado e o Hip-Hop não aparece muito. É uma ou outra parte mais melódica que traz alguma coisa interessante e só. E por que eu inclui esse álbum nessa primeira parte da lista? Porque mesmo com seus deslizes, ainda se tem toda a essência do Korn e, pra quem é fã, vez ou outra ainda vai conseguir apreciar até mesmo as musiquinhas meio barro-meio tijolo.

Bem, por hoje é isso. Até 2003 eu escuto os caras de cabo a rabo, mas daí pra frente o bagulho desanda totalmente e no próximo post eu vou explicar como é se decepcionar com a sua banda preferida, até mais!

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

20 anos de Roots do Sepultura

By Benevides de Souza19:59:0090s, New Metal, Roots, Sepultura, Thrash Metal

Sábado passado (20/02) um dos álbuns mais experimentais, polêmicos, divisor de águas, espetacular ou seja lá qual é o adjetivo que você use pra ele, completou vinte anos de idade. 'Roots' do Sepultura foi uma bomba no gênero e de extrema importância pro Metal até os dias de hoje. Na minha opinião, é um dos melhores CDs que já ouvi e também um dos meus preferidos. Ele consegue trazer toda aquele tom sombrio marcante do Sepultura junto com um som totalmente orgânico, pesado, denso e cru envolta daquela vibe das bandas que tinham nos anos 90 e com um experimentalismo muito bem sucedido. Mas o post de hoje não é nenhuma resenha sobre as raizes brazucas, e sim, sobre algumas curiosidades por trás da produção do álbum que vi durante essa semana e resolvi compilar tudo aqui. Enjoy it!

1) Apesar de se notar um nítido desejo de misturar Metal com músicas brasileira/tribal desde o 'Arise', os caras resolveram cair pra cima de vez no projeto após o Max Cavalera assistir um filme que se passava numa aldeia da Amazônia chamado "Brincando nos Campos do Senhor". Sem contar que eles ouviam muito Chico Science e Raimundos.

2) Foi gravado um vídeo do encontro da equipe e a banda com a tribo de índios Xavantes, dá um ligue:



3) O 'Roots' foi gravado no estúdio Indigo Ranch. O lugar contém muitos equipamentos antigos e, caso você não saiba, isso interfere muito no timbre dos instrumentos e é uma parte extremamente importante na hora de produzir uma música. Parte das gravações foram feitas em sessões externas em uma montanha (!!!) no Malibu, California. Muitos desses sons aparecem como percussão em várias músicas. Pra você ter noção do tamanho do experimentalismo feito, a base pro que viria ser "Ratamhatta" foi feita a partir de um galão d'água vazio sendo arrastado numa pedra!

4) Além do Carlinhos Brown, teve mais gente grande participando desse evento. David Silveria e Jonathan Davis do Korn contribuíram na parte de percussão, letras e vocais. Mike Patton e o DJ Lethal do Limp Bizkit foram os outros que deram mais pitacos (manda mais New Metal que tá pouco!).

5) A capa do disco foi tirada de uma nota de 10 mil Cruzeiros.

6) Essa é a versão original de "Roots Bloody Roots":



7) E só pra finalizar, vou deixar esse especial da falecida MTV Brasil que é quase um making of do álbum. Ele foi ao ar depois da saída do Max e tem até cenas das gravações feitas na montanha. Pega a pipoca e assiste aí porque essa porra é relíquia, truta!



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sábado, 20 de fevereiro de 2016

New Metal: É tudo culpa do Korn e do Ross Robinson?

By Benevides de Souza10:49:0090s, Artigos, Korn, New Metal, Ross Robinson

Continuando com o post sobre origens, hoje vamos entender e conhecer a minha banda preferida: Korn. Se você ainda não leu o texto onde eu contextualizo um pouco do que tinha na época, clique aqui e veja. Sim, é importante saber por motivos de referências! E se você já leu, bora lá fazer uma viagem até 1994?!

Como disse anteriormente, o Metal andava bem mal das pernas. E com exceção do Pantera e Sepultura que conseguiram fazer um reboliço no começo da década, o que predominava dentro do gênero eram bandas bem genéricas. Especialmente quando se falava sobre Thrash Metal, a coisa estava bem saturada. Nomes consagrados como Metallica e Iron Maiden são exemplos de como andava a situação. Quem incorporava elementos de Metal e estava em alta era o Grunge. Ele trouxe uma dinâmica diferente pras músicas. Letras mais profundas e pessoais, distorções nas guitarras e uma estética totalmente fora daquele estereótipo 'roqueiro cabeludo 666 du mal'. Isso é importante porque era algo totalmente fora do que existia no gênero. Muita gente reduz e exemplifica o New Metal simplesmente como uma mistura de Rap com Rock. E aí você se lembra na hora da parceria do Aerosmith com o Run DMC, mas também tem uma outra banda muito mais pesada que se aventurou pelo mundo Hip-Hop. Sim, o Anthrax pode ter sido um dos responsáveis por começar a estabelecer um terreno pro que viria a acontecer anos mais tarde. Principalmente na música "Bring the Noise" em parceria com o Public Enemy.

Lá pelos idos de 1991, um produtor musical despertava para o mercado. Ross Robinson começou sua carreira no meio trabalhando com os caras do Fear Factory, um dos maiores expoentes do Metal Industrial. Ross produziu as primeiras demos da banda, mas os integrantes não estavam contentes com a produção e optaram por demiti-lo. Depois de algumas tretas judiciais, Ross mostrou essas gravações pra uma certa banda de Bakersfield, California. Após trabalharem em algumas músicas e o Korn fazer uma turnê com o Biohazard e House of Pain, os caras começaram a gravar o primeiro disco em maio de 94.

Korn - Self Titled
Sejamos sinceros, que banda de Metal iniciaria um álbum de estreia com uma introdução de 50 segundos? E essa era uma das grandes sacadas da produção de Ross! Trazer uma cadência e dinâmica, alternando entre o groove da bateria com o baixo e a explosão de riffs pesados com vocais agressivos, de uma maneira que nem mesmo o Grunge havia feito até então. Isso abriu espaço para que as letras de Jonathan Davis tivessem um apelo emocional ainda maior. Temas como bullying, abuso infantil e de drogas ajudavam ainda mais a trazer esse feeling. A pegada funk/rap da bateria, o baixo que mais soava como um instrumento de percussão e guitarras de sete cordas com afinações extremamente baixas produzindo sons aparentemente "sem sentido" no lugar de samples/sintetizadores (manja o Tom Morello imitando um DJ com a guitarra? A proposta é semelhante, porém muito desses sons nos remetem a música industrial) definitivamente não era algo que se ouvia todo dia. Sem contar que era um monte de cara com dread usando calças largas parecendo um negão de um subúrbio do Bronx. E é exatamente por isso que uma galera diz que "New Metal não é Metal"!

O Korn trouxe uma proposta de música diferente. Riffs pouco complexos, pesados e com timbres únicos, porém com o contorno emocional vindo em primeiro lugar. E entenda, não é porque uma coisa é simples que ela é preguiçosa como muito metalhead fala por aí. Todos esses "sons esquisitos" de guitarras feitos pelo Head e Munky foram pensados de uma maneira que se encaixasse nessa proposta e nos fizesse sentir determinado tipo de emoção. Quando se entra a distorção, quando uma guitarra faz o riff principal e a outra não aparece tanto, quando ambas servem para dar ambiência a música, quando fica apenas baixo e batera, etc. Coisas que soam de formas simples, mas totalmente bem estruturada e tocadas na hora certa. Ahh, e você tem todas essas informações jogadas na sua cara logo na primeira faixa! Imagina como foi ouvir isso na época?! Neguinho deve ter explodido a cabeça na mesma hora!

As minhas músicas preferidas desse primeiro disco e que acho que merecem ser ouvidas com mais atenção são: 'Blind', 'Ball Tongue', 'Clown', 'Shoots and Ladders' e a pesadaça 'Daddy' (ela tem até um canto gregoriano no início). Quer muita gente queira ou não, depois desse álbum o Metal nunca mais foi o mesmo. Mas isso fica pra outro dia, até a próxima!




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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Eths e Otep lançam música nova

By Benevides de Souza11:54:00Eths, New Metal, Noticias, Otep

Duas notícias de levis que vi hoje e achei interessante colocar aqui, pois são bandas que acompanho a um tempo e marcaram minha adolescência regada a muita new metalerage. Otep e Eths (essa última francesa) são duas bandas com vocais femininos que utilizam vocais guturais. Ambas tem lançamento programado para o mês de Abril (dias 15 e 22, respectivamente). Particularmente, gostei mais da música do Eths, tem um groove que me agradou muito e é bem mais agressiva do que a do Otep. Escutem aí e deixem suas opiniões nos comentários!

Eths - Alnilam




Otep - Lords Of War

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Antes do Korn, havia...????

By Benevides de Souza18:31:0090s, Artigos, Faith No More, Grunge, Industrial, Korn, New Metal, Pantera, Rap/Hip-Hop, RATM

Olá, pessoas! Hoje vou iniciar uma série de posts do tipo origins, que ao contrário de filmes de super heróis, relembrar o começo de bandas consagradas costuma ser algo bem bacana de se fazer. Especialmente se ela for polêmica e revolucionária. O Korn é de longe a minha banda preferida, mas infelizmente acabou tomando rumos bem ruins já tem um tempo e que como fã estou esperando que eles se acertem até hoje porque esperança é a última que morre, né.

Como eu disse antes, o Korn é uma banda polêmica (ainda é, porque tem uma galera que até hoje torce o braço) e pra entender o porquê desse reboliço todo temos que olhar um pouco pro contexto da época e o que rolava de diferente no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Bem, se você não sabe, eles são considerados os pais do New Metal. Foram os primeiros a serem rotulados como tal e também a banda responsável por mostrar o gênero como realmente é. Resumindo, foi quem mostrou do que era feito e como era feito. E por que a ênfase nisso? Porque grande parte dos elementos que existia nesse som já estava por aí a algum tempo. Quer um exemplo? Escute o primeiro disco do Rage Against the Machine. Você vai ver que praticamente a base do som do Korn tá ali, mas que não soa como New Metal e é algo totalmente diferente.

Pantera
Outra banda que fazia muito sucesso e tinha lá suas semelhanças com o RATM era o Faith No More. Que até o primeiro disco com o Mike Patton, o 'The Real Thing', tinha uma pegada muito puxada pro funk americano e com muito groove. Sem falar ainda no Rap/Hip-Hop que estava em alta com o gangsta rap de Ice Cube, Snoop Dogg, 2Pac, Cypress Hill e House of Pain, além dos nomes consagrados como Beastie Boys e Public Enemy. Mas teve uma banda em especial que veio como um arrasa quarteirões e que foi muito influente nos anos 90, inclusive é uma das grandes inspirações da dupla de guitarristas do Korn, o PANTERA! Com muito groove, afinações baixas e riffs mais simples, o Pantera trouxe um frescor novo para o Metal. Muitos consideram que eles foram responsáveis por salvar o gênero que andava meio mal das pernas. Um disco que mostra bem a importância deles na época é o 'Chaos A.D.' do Sepultura, sem dúvidas nenhuma vale muito o play!

Alain Jourgensen - Ministry
Fora isso tudo, houve o boom do Grunge. Pearl Jam, Alice in Chains e Nirvana praticamente mandavam nas rádios e bombardeavam a MTV com seus vídeo clipes. As distorções, o som cru e letras pessoais e angustiantes do estilo são todos elementos que também podem ser encontrados no Korn. Para finalizar essa primeira parte de origem, também tinha a galera maluca do Rock/Metal Industrial. Nine Inch Nails e Ministry misturavam o som pesado das guitarras com as batidas da música eletrônica. Inclusive, guardem está informação! Mais pra frente vou voltar a tocar nesse ponto da música Industrial no Korn porque pouca gente lembra desse detalhe. 

Por hoje é isso, no próximo post vou explicar no que resultou tudo isso, quem foi Ross Robinson e porque New Metal "não é Metal".

Até mais!

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